domingo, 21 de junho de 2009

GESTALT


Gestalt
1920
Nacionalidade Alemanha

A Gestalt surgiu nas primeiras décadas deste século como uma espécie de resposta ao atomismo psicológico, escola que pregava uma busca do todo psicológico através da soma de suas partes mais elementares; o complexo viria pura e simplesmente da reunião de seus elementos mais simples, era uma escola de adição. A Escola da Forma dizia o contrário: não podemos separar as partes de um todo pois dele elas dependem e não fazem sentido, pelo menos o mesmo, senão enquanto partes formadoras daquele todo.

Em seu início, havia duas correntes na Gestalt, a dos dualistas e a dos monistas: os primeiros acreditavam existir uma percepção mental que diferiria da sensorial. Sendo assim, perceberíamos os elementos separadamente e só então eles formariam o todo através de uma ação do espírito, de uma percepção mental. Um desenho, por exemplo, não é um todo, mas o que estaria produzindo a forma total que percebemos, o que ligaria seus elementos seria o espírito. Encontram-se nessa corrente muitos resquícios do atomismo psicológico, enquanto que os monistas realmente romperam com eles, ao sustentarem que as partes dependem mais do todo que ele destas, que é ele quem as determina. Para os monistas o esquema da percepção seria, basicamente: estímulos sensoriais -> forma -> sensação.

Para os monistas, forma e matéria não são separáveis, os elementos de uma forma não existem em si, singularmente, isso só seria possível através de abstração. Todos os elementos aparecem ao mesmo tempo, e um observar um ou outro, um tomar um ou outro como figura ou fundo tornaria a experiência diferente. Cada parte é percebida como elemento formador do todo, pertencente a ele.

A Gestalt como teoria filosófica



Em um âmbito filosófico (a Gestalt chegou a ser considerada uma 'filosofia da forma'), pode-se dizer que foi deixado de lado o ego cogito cartesiano para, como Husserl (que foi, de fato, mestre de Koffka, um dos papas desta escola), adotar-se um ego cogito cogitatum: não há uma ruptura entre consciência - ou sensação, no caso da escola da forma - e mundo. O "resíduo" a que se pode chegar por uma redução, uma dissecação do real - ou de uma forma - não é o "eu penso", mas a correlação entre o eu penso e o objeto de pensamento (o ego cogito cogitatum). Em suma, não existiria consciência enquanto tal, mas toda consciência seria consciência de.
Isso, porém, não se dá de forma separada, como pretendiam os associacionistas (escola da psicologia que predominou no século XIX), mas concomitante: tomemos como exemplo um carro na estrada, seguindo em direção contrária a você. Para os associacionistas, há um intervencionismo do pensamento, ou seja, suas sensações lhe dizem que o carro está diminuindo à medida em que se afasta, mas, sendo conhecedor das leis da física, ou mesmo já tendo passado por esta experiência, seu pensamento reagiria, corrigindo o equívoco. O dado sensorial seria menos real que a percepção, e interpretado de acordo com a experiência.
Já para a Gestalt, isso tudo aconteceria de uma só vez e não através da experiência, mas de acordo com o que é dado na situação em si. Cada vez seria diferente, se apenas um dos elementos formadores diferisse; o todo seria o que há de mais importante, o que vale aqui não é a experiência, todavia o agora e o que é dado nesse agora. Percebe-se de maneira diferente de acordo com o contexto em que o objeto/excitante está inserido, nossa sensação é global e varia dependendo do evento/forma.
Essa foi a concepção que acabou, por assim dizer, "triunfante" em relação à outra, e seus defensores, Max Wertheimer, Kurt Koffka e Wolfgang Köhler, acabaram por se tornar figuras de maior importância na Escola da Gestalt.
Essa teoria da forma não se manteve apenas dentro dos limites da psicologia, mas pretendeu se estender à Física e à Filosofia, admitindo a existência de formas fisiológicas e de formas físicas, além das formas psicológicas: as primeiras dizem respeito aos organismos vivos, que funcionariam do todo para o uno; as células seriam dependentes do organismo e não o contrário porque este teria a capacidade de se adaptar. As segundas tratam do mundo físico: este tenderia, também, a um equilíbrio total, uma busca da boa forma, mais homogênea e simétrica. Finalmente, as formas psicológicas, que são colocadas de uma maneira bem materialista: os gestaltistas não admitem a existência de um espírito, de alma, mas que tudo se reduz à matéria bruta, sendo as formas psicológicas o subjetivo das fisiológicas e estas apenas reduzidas às formas físicas.

Organização Perceptual - Assimilação e Contraste; Figura e fundo

Somos bombardeados por estímulos físicos todo o tempo e, para compreendê-los, formamos organizações perceptuais (termo que se aplica tanto ao processo de organização quanto ao resultado em si). Há várias maneiras de se organizar esses estímulos, e, de fato, o fazemos, mas de tal modo que exista sempre apenas uma: nunca há dois tipos de organização em um só momento. Esse empreendimento se dá de maneira espontânea, inerente ao indivíduo, porém o consciente pode exercer um papel nesse processo, pois a organização perceptual ocorre dentro e fora da consciência: se a pessoa quiser, poderá criá-la conscientemente, mas se não o fizer, o inconsciente agirá.
Um ponto importante no processo de organização perceptual é a diferenciação do campo perceptual. A maneira com que a forma é apresentada pode, por exemplo, suscitar fenômenos como a associação e o contraste.
O primeiro destes princípios diz respeito a uma homogeneização das partes da forma a que somos compelidos quando não há fronteiras entre elas, ou quando não as percebemos. Os contornos se tornam importantes neste sentido: tendemos a tornar cada parte homogênea em matéria de luz; a assimilação pode acontecer quando há proximidade, especialmente quando estas áreas próximas não estão delimitadas. Já o contraste consiste em perceber-se uma diferença maior do que ela realmente é, e ocorre quando há uma separação das partes, quase de maneira contrária à assimilação.
Porém deve-se sempre lembrar que, tanto assimilação como contraste são "regidos" pela organização perceptual total, podendo, até mesmo haver a ocorrência dos dois fenômenos em um mesmo objeto, dependendo de, por exemplo, qual o fundo sob o qual está a figura. Estes dois conceitos, fundo e figura, são os mais simples da forma de organização perceptual: em qualquer campo diferenciado, uma das partes sempre parece "saltar", se salientar em relação às outras. A ela damos o nome de figura, sendo o fundo todo o resto.
O que nos permite diferenciá-los, enxergar uma separação entre ambos é o contorno: uma fronteira física que mais parece pertencente à figura, conferindo forma a ela. Se há uma inversão, se a figura passa a parecer fundo e vice-versa, então o contorno passará, logicamente, a parecer pertencer à nova figura. A figura sempre parece possuir o contorno. Se, em uma forma, não fica muito clara essa separação (sendo que sempre veremos uma parte como figura e outra como fundo; o que pode não ficar claro é o que qual das partes é definitivamente), há uma flutuação, percebemos alternadamente os elementos como figura e fundo; porém, sempre um de cada vez, e sempre um. Bom, nesse caso, ao acontecer essa flutuação, o contorno passa a nos parecer completamente diferente em cada um dos casos. Pode acontecer, também, de algo ser definido como figura embora não haja um contorno, uma linha física que o delimite: esse fenômeno é conhecido como fechamento e é muito comum, posto que certas formas estão de uma maneira que nos pareça completa, não cabendo ali nenhum tipo de modificação; é como se elas se bastassem, fossem suficientes, enfim, completas em si.
Na determinação de o que é figura e fundo influem diversos fatores, como tamanho e localização, ou, caso esses sejam os mesmos, a área que for menor ou mais fechada. Geralmente, o que pode ser agrupado com mais facilidade, pareça seguir uma "linha", for mais homogêneo, ou até mesmo o que for mais conhecido para quem observa (e aí entra a questão da subjetividade na percepção) passará a ser visto como a figura. Há até mesmo a influência do sistema nervoso e outros processos do tipo nessa determinação.
Figura e fundo são diferenciados não só em formas visuais, vale lembrar; tendemos a separá-los em todas as experiências de percepção. Na chamada música pop, por exemplo, geralmente percebemos a voz do cantor como figura e o instrumental como fundo, como acompanhamento.

Agrupamento Perceptual - Wertheimer



Pode haver, e na maioria das vezes há, mais de dois elementos na forma: nesse caso, o que seria figura? E fundo? Por quê? Max Wertheimer, tido como o fundador da teoria da Gestalt, propõe em seu "Raciocínio Visual" certos princípios, a seguir:

1) Proximidade
Em condições iguais, eventos próximos no tempo e espaço tenderão a permanecer unidos, formando um só todo:



OO OO OO OO OO OO OO
OO OO OO OO OO OO OO
OO OO OO OO OO OO OO


2) Semelhança
Eventos semelhantes se agruparão entre si:

O X O X O X O X O X O X O
O X O X O X O X O X O X O
O X O X O X O X O X O X O

Essa semelhança se dá por intensidade, cor,odor, peso, tamanho, forma etc. e se dá em igualdade de condições.



3) Semelhança + Proximidade
É a simples adição dos dois princípios anteriores, se em condições iguais:

OO OX XO OO
OO OX XO OO
OO OX XO OO



4) Lei da Boa Continuidade
É o acompanhamento de uns elementos por outros, de modo que uma linha ou uma forma continuem em uma direção ou maneira já conhecidas.

____|____ = ________ |

5) Pregnância
Há formas que parecem se impor em relação às outras, nos fazendo, por muito tempo, não conseguir ver outra forma de distribuição:

OO OO OO OO OO OO OO OO OO
OO OO OO OO OO OO OO OO OO
OO OO OO OO OO OO OO OO OO



6) Destino Comum
Há certos elementos que parecem se dirigir a um mesmo lugar, se destacando de outros que não o pareçam.

7) Persistência do Agrupamento Original
Em todos as formas, todos os estímulos, os elementos aproximam-se uns dos outros e tendemos a fazer com que os grupos continuem os mesmos.

8) Experiência Passada ou Aprendizagem
É a subjetividade do percebedor: para cada um a percepção pode ser diferente, de acordo com a experiência do indivíduo, de acordo com o que ele já viveu ou aprendeu, conheceu. Tomemos como exemplo um texto qualquer: para um analfabeto ou alguém que não conheça a língua em questão, parecerá uma confusã completa, mas, para aquele que saiba ler ou conheça a língua, parecerá inteiramente inteligível.

9) Clausura ou Fechamento
Os elementos de uma forma tendem a se agrupar de modo que formem uma figura mais total ou fechada.

Conclusão

Essas tendências ou princípios, dependendo de sua intensidade podem produzir efeitos diferentes, devemos sempre lembrar que, para a Escola da Forma, o todo não é apenas a soma das partes, sua essência depende da configuração das partes.
A partir disso, podemos trazer ainda algumas considerações e conceitos finais: a transposição das formas, por exemplo, é de um valor muito grande dentro do que foi dito no parágrafo anterior; podemos transpor a mesma forma a partir de elementos diferentes, de modo que a forma original ainda possa ser reconhecida, como em:

OOXX
OO, XX

ou em uma melodia cujas notas sejam aumentadas todas em um tom, ou seja, o todo é a configuração de seus elementos, mas também difere de acordo com os elementos em si. Porém, não podemos nos esquecer da parte-todo, isto é, que as partes dependem da natureza do todo.
Por último, vale falar, mais uma vez, sobre a subjetividade na percepção: deve-se levar em conta a experiência vivida pelo sujeito, o seu nível de conhecimento ou familiaridade com o assunto tratado et sic per omnia.
Enfim, a Escola da Gestalt não se limitou apenas à percepção, mas expandiu suas teorias a várias áreas de conhecimento, revolucionando a psicologia e influenciando diretamente muitos pensadores. Pode-se dizer, por exemplo, que o behaviorismo de Skinner bebe basicamente da fonte da Gestalt.
Esta foi e continua sendo uma escola revolucionária e de um imenso valor histórico.




Bibliografia
Links
Autor Juliana Fausto

Data maio de 1999

quinta-feira, 11 de junho de 2009

POEMA

No alto daquele cume
Plantei uma roseira
O vento no cume bate
A rosa no cume cheira.

Quando cai a chuva fina
Salpicos no cume caem
Formigas no cume entram
Abelhas do cume saem.

Quanto cai a chuva grossa
A água do cume desce
O barro do cume escorre
O mato no cume cresce.

Quando cessa a chuva
No cume volta a alegria
Pois torna a brilhar de novo
O sol que no cume ardia!

Coisas Que Se Atraem

Desafiando as leis da física os itens a seguir mostram que outras coisas também se atraem...

1 - Camisa branca e molho de tomate

2 - Dedinho do pé e Ponta de móveis

3 - Jato de Mijo e Tampa de Vaso

4 - Café e Toalha de Mesa

5 - Pobre e Funk

6 - Tampa de Creme Dental e Ralo de Pia

7 - Mão e Peitos

8 - Olho e Bundas

9 - Zezé de Camargo e Luciano

10 - Homem e Cerveja

11 - Carro e Mulher

12 - Nariz e Dedo

13 - Queijo e Goiabada

14 - Carro de Bêbado e Poste

15 - Show do KLB e Controle remoto (pra mudar de canal)

16 - Show da Virada e Roberto Carlos

17 - Branca de Neve e Os Sete Anões

18 - Tampa de Caneta Bic e Orelha

19 - Moeda e Carteira de Pobre

20 - Pé e Frieira

21 - Sexta-Feira e um Boteco pra tomar umas e dar uma relaxada

10 MANDAMENTOS DOS PREGUIÇOSOS

1 - Viva para descansar.

2 - Ame a sua cama, ela é o seu templo.

3 - Se vir alguém descansando, ajude-o.

4 - Descanse de dia para poder dormir à noite.

5 - O trabalho é sagrado, não toque nele.

6 - Nunca faça amanhã, o que você pode fazer depois de amanhã.

7 - Trabalhe o menos possível; o que tiver para ser feito, deixe que outra pessoa faça.

8 - Calma, nunca ninguém morreu por descansar, mas você pode se machucar trabalhando...

9 - Quando sentir desejo de trabalhar, sente-se e espere o desejo passar.

10 - Não se esqueça, trabalho é saúde. Deixe o seu para os doentes.

28 Tipos de Cocô

1 - FANTASMA: Você sente sair, vê o bicho no papel, mas não tem nada na privada.

2 - CLEAN: Você sente sair, o bicho ta la na privada, mas o papel tá limpinho.

3 - MOLHADINHO: Depois de limpar a bunda umas cinquenta vezes ainda parece que não tá limpo. Então você embola papel higiênico entre o rabo e a cueca pra não borrar.

4 - GOSTINHO DE QUERO MAIS: Acabou de puxar a descarga, já puxou as calcas ate o joelho e de repente tem que começar tudo de novo.

5 - HEMORRAGIA CEREBRAL PELO NARIZ: Aquele que requer tanta forca que você fica todo roxo e quase tem um derrame.

6 - ESPIGA DE MILHO: Auto-explicativo.

7 - TORPEDO: Tão grande que da medo de puxar a descarga sem antes quebrar no meio com o cabo de uma escova de dentes.

8 - ALCOÓLICO ANÔNIMO: Aquele feito na manhã seguinte a uma noite de bebedeira. Deixa uma marca longitudinal na porcelana apos puxada a descarga.

9 - CHAMA O ENCANADOR: Tão grande que entope o vaso e a água transborda. Você deveria ter seguido a dica do "Torpedo".

10 - CABELUDO: Aquele que você encontra na privada dois dias depois de expelido, quando a descarga não funciona. Naquela altura inchado ate ficar da grossura do seu antebraço.

11 - EMBORA EU QUEIRA: Quando você fica sentado com uma puta dor de barriga mas só peidando. Particularmente frustrante em banheiros públicos.

12 - CAMINHÃO BASCULANTE: Sai tao rápido que mal da tempo de sentar.

13 - AERÓGRAFO: Versão diarreia do "Caminhão Basculante". Antes mesmo de você sentar, BUM! Uma carga explosiva recobre todo o interior do vaso de uma camada mais ou menos uniforme de respingos. A água continua limpinha.

14 - IOIÔ: Aquela que requer uma forca enorme para sair, e assim que ela bota cabecinha pra fora, você relaxa os músculos e ele volta para dentro.

15 - EFEITO ILHA: Uma massa marrom e disforme saindo pra fora da água.

16 - HÉRNIA DE DISCO: Variante do "Hemorragia". Requer tanta forca que você acha que ta saindo de lado.

17 - ACHO QUE ESTOU PARINDO: Um cruzamento do "Torpedo" com o "Hérnia de Disco". O produto assemelha-se, em tamanho e formato, a uma lata de batatinhas Pringle's. Depois que sai sobra um espaço vazio no reto.

18 - RABO DE MACACO: Não para de sair, tipo pasta de dente. Você tem duas escolhas: ou ir puxando a descarga e continuar mandando brasa, ou arriscar-se a ver o bicho ir empilhando ate chegar na sua bunda.

19 - ACHO QUE ESTOU VIRANDO UM COELHINHO: Um monte de cocozinhos redondos que parecem bolinhas de gude e que fazem barulhinho ao cair na água.

20 - ELEVADOR: Desce de uma vez; movimento retilíneo uniforme.

21 - TARZAN: Só sai com auxilio vocal. ("HOOOOOOOOOOOOOOUUUOOUOOOOH")

22 - PROMETO MASTIGAR MINHA COMIDA MELHOR: Quando o pacote de Doritos da noite passada parece vidro moído ao descer.

23 - MORREU UM BICHO AQUI DENTRO: Também conhecido como "Lixo Tóxico". E claro que você não avisa ninguém do odor infecto. Em vez disso, você fica disfarçadamente perto da porta do banheiro fazendo forca pra não dar risada enquanto as pessoas saem correndo e engasgando ali de dentro.

24 - AINDA TEM UM PENDURADO: Tem que esperar pacientemente o ultimo pedaço cair, porque se você tentar limpar agora vai borrar tudo.

25 - LANÇA CHAMAS: Chamusca os pelinhos. Faz você jurar nunca mais chegar perto de acarajé.

26 - TONER: A única prova material de todo o seu esforço e um ligeiro escurecimento da água.

27 - PRIMOGÊNITO: Tão perfeito, marrom e saudável que da pena de puxar a descarga.

28- MIGUÉ: Poderia muito bem ser um "Primogênito", mas se esconde no vão da privada antes que você possa apreciar.....

segunda-feira, 8 de junho de 2009

SE CHOREI OU SE SORRI O IMPORTANTE É QUE EMOÇÕES EU VIVI.


Entender a emoção não é tarefa fácil, mas vamos tentar.

Como sabemos que estamos emocionados? Invariavelmente pelas sensações e movimentos que nosso corpo produz: dor de barriga, um “frio no estômago”, chorar, rir sem parar, taquicardia, tremer, desmaiar, perder a voz, ficar “branco que nem cera” ou “vermelho de raiva...”.

No estudo etimológico da palavra descobrimos que emoção se origina de duas outras palavras do latim – ex movere – que significam em movimento. Faz sentido? Se nosso corpo se movimenta quando nos emocionamos, então faz sentido!

Mas por quê a Psicologia se preocupa com as emoções? Estudar o comportamento humano é o objetivo maior da Psicologia e entender porque nos emocionamos e de maneira a emoção influencia nosso comportamento, faz parte desse objetivo.

Muitos estudiosos, anteriores ao século XX já se preocupavam com a emoção e seus efeitos sobre o comportamento humano. Desde a Grécia Antiga e até meados do século XIX, filósofos e psicólogos acreditavam que as emoções eram instintos básicos que deveriam ser controlados sob pena do homem ter sua capacidade de pensar seriamente afetada. No século XX, as investigações produzidas sobre a emoção nos levaram a um outro olhar e entendimento. Os cientistas despertaram para o fato de que se emocionar, mas compreender e estar consciente de suas emoções era uma qualidade que permitia ao ser humano desenvolver a capacidade de melhor se relacionar no e com o mundo.

Além disso, com o auxílio dos desenvolvimentos tecnológicos, pesquisadores estão descobrindo que a emoção influi diretamente no nosso sistema imunológico, na nossa saúde – o mal do século XXI, o stress é de origem fundamentalmente emocional – é o resultado da incapacidade de lidar coma as emoções; aliás, esta capacidade, foi definida como uma das múltiplas inteligências do ser humano (inteligência emocional), pelo psicólogo americano Howard Gardner (1999).

Charles Darwin (1872) deu início a uma investigação, com a qual pretendia identificar as emoções básicas “universais”, de origem biológica. Este trabalho foi seqüenciado pelo Psicólogo Carrol Izard que conseguiu identificar dez emoções distintas, dentre as quais a tristeza, o interesse, o desgosto e a alegria.

* Roberto e Erasmo Carlos

Bem, tantas pesquisas acabaram por originar três correntes para a teoria da emoção:

A teoria JAMES-LANGE (1880) – desenvolvida pelos psicólogos William James (USA) e Carl Lange (Dinamarca) esta teoria acredita que a emoção é uma alteração fisiológica provocada por estímulos do ambiente, transmitida pela percepção sensorial.
A teoria CANNON-BARD (1920) – desenvolvida por William Cannon e Phillip Bard afirma que as alterações fisiológicas que levam a emoção ocorrem simultaneamente a percepção de estímulos do meio ambiente.
A teoria COGNITIVISTA (década de1960) surgiu a partir das pesquisas sobre a inteligência e conhecimento (cognição) e postula que a emoção dependerá da percepção que o homem tem sobre determinada situação, isto é, dependerá de como entendemos, compreendemos determinada situação.
Freud (1910)- um dos grandes pensadores do século XX - amplia o conceito de emoção para o de afeto e demonstra através da Psicanálise que o que registramos em nossa psiqué são as representações afetivas vinculadas às experiências emocionais.

Um dos teóricos mais estudados atualmente, o psicólogo e médico francês Henri Wallon ,(1879-1962) iniciou suas pesquisas com crianças lesadas neurologicamente e elaborou uma teoria da emoção. Para ele, a emoção tem dupla origem – é tanto biológica quanto social e o que ela garante é a sobrevivência da espécie humana. Ou seja, a emoção tem uma característica bastante peculiar – ela é contagiante! Que adulto consegue ficar imune ao choro de um bebê? Este caráter contagiante da emoção leva o ser humano a cuidar de sua prole e assim a garantir a sobrevivência da espécie; É na convivência com o Outro e com o Grupo Social que aprendemos a identificar, nomear e lidar com nossas emoções.

O trabalho e a escola são duas áreas de ação do ser humano, desencadeadoras de emoções por excelência, no entanto até meados do século XX a emoção era totalmente descartada de seus domínios por influencia do pensamento cartesiano.

Hoje, o conceito de inteligência emocional introduzido por Daniel Goleman, com base nos estudos de Howard Gardner tem sido amplamente abordado e desenvolvido nas empresas por profissionais de recursos humanos; assim como a teoria da emoção de Henri Wallon tem sido profundamente estudada por educadores e psicólogos escolares com o objetivo de melhor entender o processo ensino-aprendizagem.

Achou difícil entender tudo isso? Mas, cá entre nós, o assunto é contagiante não é mesmo?!

Segue em anexo um breve texto* do filósofo inglês Bertrand Russel (1872/1970) que poderá ajudar ou complicar... Deixe se emocionar!

* texto escrito com o Português de Portugal.

A (Má-) Emoção Controlada Pela Razão

Há a idéia de que quando se concede à razão inteira liberdade ela destrói todas as emoções profundas. Esta opinião parece-me devida a uma concepção inteiramente errada da função da razão na vida humana. Não é objetivo da razão gerar emoções, embora possa ser parte da sua função descobrir os meios de impedir que tais emoções sejam um obstáculo ao bem-estar. Descobrir os meios de diminuir o ódio e a inveja é sem dúvida parte da função da psicologia racional. Mas é um erro supor que diminuindo essas paixões, diminuiremos ao mesmo tempo a intensidade das paixões que a razão não condena.

No amor apaixonado, na afeição dos pais, na amizade, na benevolência, na devoção às ciências ou às artes, nada há que a razão deseje diminuir. O homem racional, quando sente essas emoções, ficará contente por as sentir e nada deve fazer para diminuir a sua intensidade, pois todas elas fazem parte da verdadeira vida, isto é, da vida cujo objetivo é a felicidade, a própria e a dos outros.

Nada há de irracional nas paixões como paixões e muitas pessoas irracionais sentem somente as paixões mais triviais. Ninguém deve recear que ao optar pela razão torne triste a vida. Ao contrário, pois a razão consiste, em geral, na harmonia interior; o homem que a realiza sente-se mais livre na contemplação do mundo e no emprego da sua energia para conseguir os seus propósitos exteriores, do que o homem que é continuamente embaraçado por conflitos íntimos. Nada é tão deprimente como estar fechado em si mesmo, nada é tão consolador como ter a sua atenção e a sua energia dirigidas para o mundo exterior.

Bertrand Russell, in 'A Conquista da Felicidade’.

Regina Célia de Souza

SILENCIO

Silêncio

Estamos acostumados a falar o tempo todo e não pensamos sobre o
benefício real do silêncio. Na verdade, a prática do silêncio torna nossa fala
mais objetiva, mais curta. Essa economia de palavras aumenta a
qualidade do nosso pensar. O silêncio também protege as virtudes que temos dentro de nós, impedindo que os vícios mostrem suas influências negativas.
Na verdade o silêncio é o remédio certo para tal contingência. Já
diziam os sábios que silêncio é ouro, uma vez que ele nos molda em seres humanos melhores e mais flexíveis.

BK Prabhakar, Silence, The World Renewal, October, 2001